Deste-me a fraternidade para com o que não conheço. Acrescentaste à minha a força de todos os que vivem. Deste-me outra vez a pátria como se nascesse de novo. Deste-me a liberdade que o solitário não tem. Ensinaste-me a acender a bondade, como um fogo. Deste-me a rectidão de que a árvore necessita. Ensinaste-me a ver a unidade e a diversidade dos homens. Mostraste-me como a dor de um indivíduo morre com a vitória de todos. Fizeste-me edificar sobre a realidade como sobre uma rocha. Tornaste-me adversário do malvado e muro contra o frenético. Fizeste-me ver a claridade do mundo e a possibilidade da alegria. Tornaste-me indestrutível, porque, graças a ti, não termino em mim mesma.
AVANTE CAMARADA!
A nova liberdade chegará Levanta-te amigo! O novo mundo aparecerá Em nossas almas ergue-se a felicidade Pois o novo Sol vai crescendo Pois a nova Lua vai vencendo Desperta companheiro! Lutemos por uma nova justiça Levemos a nossa luta para frente A tristeza está a morrer A opressão vai desaparecer Avante camarada! A nova liberdade chegará Levanta-te amigo! O novo mundo aparecerá Junta-te a nós revolucionário Para construir um novo bem Para destruir esta corrupção Fazemos parte deste todo Queremos o fim da depressão Grita connosco basta! Leva connosco este hino de liberdade Avante camarada! A nova liberdade chegará Levanta-te amigo! O novo mundo aparecerá Em cada canto, em cada pessoa Vamos levar a cor da esperança Pelo fim da exploração Pelo fim da opressão A cor vermelha da luta Do sangue que os nossos avós derramaram Será o garante de uma nova sociedade E todos seremos um só! E todos seremos um só!
MEU CAMARADA E AMIGO
Revejo tudo e redigo meu camarada e amigo. Meu irmão suando pão sem casa mas com razão. Revejo e redigo meu camarada e amigo
As canções que trago prenhas de ternura pelos outros saem das minhas entranhas como um rebanho de potros. Tudo vai roendo a erva daninha que me entrelaça: canção não pode ser serva homem não pode ser caça e a poesia tem de ser como um cavalo que passa.
É por dentro desta selva desta raiva deste grito desta toada que vem dos pulmões do infinito que em todos vejo ninguém revejo tudo e redigo: Meu camarada e amigo.
Sei bem as mós que moendo pouco a pouco trituraram os ossos que estão doendo àqueles que não falaram.
Calculo até os moinhos puxados a ódio e sal que a par dos monstros marinhos vão movendo Portugal — mas um poeta só fala por sofrimento total!
Por isso calo e sobejo eu que só tenho o que fiz dando tudo mas à toa: Amigos no Alentejo alguns que estão em Paris muitos que são de Lisboa. Aonde me não revejo é que eu sofro o meu país.
Ary dos Santos, in 'Resumo'
DIFICULDADE DE GOVERNAR
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo Como é difícil governar. Sem os ministros O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. Nem um pedaço de carvão sairia das minas Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol Sem a autorização do Führer? Não é nada provável e se o fosse Ele nasceria por certo fora do lugar.
2
E também difícil, ao que nos é dito, Dirigir uma fábrica. Sem o patrão As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem. Se algures fizessem um arado Ele nunca chegaria ao campo sem As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem, De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que Seria da propriedade rural sem o proprietário rural? Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3
Se governar fosse fácil Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer. Se o operário soubesse usar a sua máquina E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários. E só porque toda a gente é tão estúpida Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será que Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira São coisas que custam a aprender?
Brecht
POEMA: MÃOS VIDREIRAS
Olhai para estas mãos que aqui vedes Já foram pequeninas e mimosas Leves e macias como lírios Rosadas e frescas como as rosas Mãos que foram dóceis em criança Hoje são áridas brutais Não tendo a graça das ilustres Valem certamente muito mais
Mãos vidreiras Que o gás do forno queimou Mãos vidreiras Que o trabalho calejou Mãos vidreiras Que só fazem obras d’arte Mãos que sabem ser vidreiras Honradas em toda a parte
Olhai para estas mãos trabalhadoras Pelo rigor da vida transformadas Mãos que nunca foram ociosas Mas pelo trabalho calejadas Mãos que se irmanam com o fogo Trabalhando o vidro em fusão Mãos que são a alma de um povo Na sua dura vida e em duro pão.
Interests
Favorite Music
Favorite Movies
Favorite TV Shows
EU QUERO ACREDITAR QUE ESTA MERDA VAI MUDAR!!
Favorite Books
CHE GUEVARA - Carta aos filhos
Em 9 de Outubro de 1967, Che Guevara era assassinado a mando dos Estados Unidos da América. Mataram-lhe o corpo, imortalizaram-lhe a imagem e a alma.
Esta é uma carta que escreveu aos seus filhos e onde expressa algumas ideias fundamentais com repercussão política e educativa.
Aos filhos:
"Queridos Hildita, Aleidita, Camilo, Célia e Ernesto:
Se alguma vez tiverem que ler esta carta, será porque eu não estarei mais entre vocês. Quase não se lembrarão de mim e os mais pequenos não recordarão nada.O vosso pai tem sido um homem que actua, e certamente, leal ás suas convicções. Cresçam como bons revolucionários. Estudem bastante para poder dominar as técnicas que permitem dominar a natureza. Sobretudo, sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça praticada contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Essa é a qualidade mais linda de um revolucionário. Até sempre, meus filhos. Espero vê-los, ainda. Um beijo e um abraço do vosso pai."
Apetece dizer como ele disse:
"HASTA LA VICTORIA. SIEMPRE"
“Pagarei com a minha vida a lealdade do povo"
Última mensagem difundida ao povo chileno, por Salvador Allende, através da Rádio Magallanes, de Santiago, na manhã de 11 de Setembro de 1973:
"Certamente, esta será a ultima oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes.
As minhas palavras não têm amargura, mas sim, decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu o seu juramento (…)
Colocado num transe histórico, pagarei com a minha vida a lealdade do povo. E digo-lhes que tenham a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares de chilenos, não poderá ser ceifada em definitivo.
Eles têm a força, poderão subjugar-nos. Porém, os processos sociais não se detêm nem com crimes nem com a força. A história é nossa e é feita pelo povo.
Trabalhadores da minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram num homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou a sua palavra no respeito à Constituição e à Lei, e assim o fez.
Neste momento definitivo, o último em que posso dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reacção criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem a sua tradição, que lhes fora ensinada pelo general Schneider e reafirmada pelo comandante Araya, vítima do mesmo sector social que hoje estará à espera, com mão alheia, de reconquistar o poder para continuar a defender as suas mordomias e os seus privilégios.
Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher modesta da nossa terra, à camponesa que acreditou em nós, à mãe que soube da nossa preocupação pelas crianças. Dirijo-me aos profissionais patriotas que continuaram a trabalhar contra o levantamento popular estimulado pelas associações de profissionais, associações classicistas que também defenderam as vantagens de uma sociedade capitalista.
Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e doaram a sua alegria e o seu espírito de luta. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, pois no nosso País o fascismo já esteve presente várias vezes: nos atentados terroristas, explodindo pontes, cortando linhas ferroviárias, destruindo oleodutos e gasodutos, perante o silêncio daqueles que tinham a obrigação de tomar providências.
Eles estavam comprometidos. A história irá julgá-los
Certamente, a Rádio Magallanes será calada e o metal tranquilo de minha voz já não chegará até vocês. Mas isso não é importante. Vocês continuarão a ouvi-la. Ela estará sempre junto de vós. Pelo menos a minha lembrança será a de um homem digno que foi leal com a Pátria.
O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não pode deixar-se arrasar nem se deixar balear, mas tampouco pode humilhar-se.
Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e no seu destino. Outros homens hão-de superar este momento cinza e amargo em que a tradição pretende impor-se. Prossigam vocês, sabendo que, bem antes que o previsto, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.
Viva o Chile! Viva o Povo! Viva os Trabalhadores!
Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que o meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a deslealdade, a covardia e a traição."
Salvador Allende
Santiago do Chile,
Manhã do dia 11 de Setembro de 1973. Pouco minutos passavam das 9 horas...
- Morrem os heróis... o FUTURO, esse, nunca poderá morrer!
Esta é a minha homenagem a Salvador Allende, aos mártires dos anos de terror e a todo o Povo do Chile.
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali...
A minha glória é esta: Criar desumanidade! Não acompanhar ninguém. - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens, E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem Para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, E vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem, Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas, Tendes jardins, tendes canteiros, Tendes pátria, tendes tectos, E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios... Eu tenho a minha Loucura ! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém. Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca principio nem acabo, Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou. É uma onda que se alevantou. É um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou - Sei que não vou por aí!
Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado. Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos, com os livros atrás a arder para toda a eternidade. Não os chamo, e eles voltam-se profundamente dentro do fogo. -Temos um talento doloroso e obscuro. construímos um lugar de silêncio. De paixão.
Como cento e quarenta sóis o sol-pôr resplandece, Julho bem entrado, um calor pesado na dacha. Curvava-se o cabeço de Púshkino para o morro de Akúlov, e no sopé da colina - uma aldeia torcendo-se em telhados de casca. E atrás da aldeia - um buraco, e a esse buraco, certamente, descia o sol todas as tardes, lentamente. E no dia seguinte de novo a inundar o mundo erguia-se vermelho. E dia após dia terrivelmente a irritar- -me lá estava ele. E assim enfurecendo-me um dia, de raiva fiquei pálido e gritei: "Vai-te! Chega de preguiçar no Inferno!" E prossegui: "Parasita! Entre as nuvens sem fazer nada e eu aqui - há tanto tempo sentado a desenhar cartazes!" E ainda: "Espera! Escuta, ó cabeça doirada, porque não deixas essa vida, e não vens até minha casa tomar chá?" O que eu fiz! Estou tramado! Para minha casa, como um boi manso, estendendo os raios-passos andou o sol nos campos. Não quero mostrar receio - e retirar-me de costas. Mas já estão no quintal os seus olhos. Já anda no meu quintal. Pela janela, pela porta, pelas gretas escorre a massa do sol, tudo invade; e tomando alento, começou a falar: "Afasto-me do fogo pela primeira vez desde a criação. Chamaste-me? Então vamos ao chá, ao chá, poeta, com geleia!" Eu estava com lágrimas nos olhos - meio louco de calor mas apontei-lhe o samovar: "Então, senta-te, astro!" O diabo tirou da manga a minha audácia de lhe gritar - desconcertado, sentei-me no meu canto, temendo o pior! Mas os estranhos raios do sol Correram, - e a minha tensão esquecendo, sentei-me, a conversar com o astro calmamente. Falei disto, daquilo, da horrível ROSTA, mas o sol: "Muito bem, não te zangues, encara as coisas com simplicidade! E eu, julgas que brilhar é fácil? Experimenta! A mim disseram-me que fosse brilhar, e eu brilho com toda a gana!" Demos assim à língua até ao escurecer - isto é, até à noite passada. Que escuridão esta! Em "ti" há eu e tu, coragem. E não tardámos a ficar amigos. Bato-lhe no ombro. E o sol também: "Tu e eu somos camaradas! Vamos, poeta, olhemos, cantemos neste mundo tão chato. Eu ponho a minha luz solar, e tu - a tua em versos." As paredes de trevas, as prisões da noite, sobre a terra serão esmagadas pelos nossos dois ataques. A desordem de versos e de luz - brilha naquilo que atinge! Cansa-se então, e quer dormir, esquecer no sono. De repente - eu com toda a força brilho - e de novo o dia nasce. Brilhar sempre, brilhar em toda a parte, até ao dia em que a fonte da vida se esgote, brilhar - e é tudo! É o nosso lema - meu e do sol!
Eu não tenho palavras bonitas, apenas luto por o que acredito...será isto poesia, será isto um sonho? Seja...atribuir-se nomes é fácil, dizer coisas bonitas fica bem, mas onde está o fazê-las?
Queres lutar por alguma coisa que acreditas, LUTA! Não será mais importante a acção do que a palavra? Não será um "short cut" a palavra para desculpar a inacção?...Eu não sou poeta e muito menos filósofo, mas dou o meu máximo para tentar fazer aquilo "q sonho", "que poetizo", "q é a minha essência"...será este conjunto de palavras associadas algo bonito? Mas que interessa isso, quando nada se faz para realmente se concretizar os seus "sonhos", os seus "poemas"... por isso a minha mensagem é simples: LUTEM por o que ACREDITEM!,